
PhD. Eliane Cunha Gonçalves
Todos os anos, milhões de pessoas começam programas de atividade física cheias de motivação, promessas de fim de ano, indicação médica, mas a verdade é que desistem poucas semanas depois. O problema não está na falta de força de vontade, e sim na forma como o exercício é apresentado: como algo extremo, cansativo, requerendo muito tempo e incompatível com a vida real.
Inúmeros estudos apontam que é exatamente o contrário, o que transforma o corpo e a saúde não é a intensidade isolada, mas a constância ao longo do tempo, e com isso a perspectiva do aumento na longevidade e com mais autonomia.
O sedentarismo não “chega de uma vez”, ele se instala aos poucos. A sua vida ativa deveria iniciar na infância. O sedentarismo moderno não é apenas a ausência de exercício, mas o resultado de anos de comportamento de hipocinesia, e baixo gasto energético, que afeta silenciosamente o metabolismo, o sistema cardiovascular, a musculatura, e até o cérebro, trazendo respostas bastante negativas para a nossa saúde ao longo da vida.
Pesquisas demonstram que pessoas sedentárias apresentam:
- Maior risco de doenças cardiovasculares;
- Redução da capacidade funcional;
- Piores indicadores de saúde mental;
- Sensação constante de cansaço e falta de energia.
E aqui está o paradoxo, diferente do que as pessoas pensam: quanto menos você se move, mais cansado se sente. A constância faz diferença no seu corpo sendo muito poderosa para a nossa vida, e consequentemente a nossa saúde.
Quando a atividade física se torna regular, o corpo responde com adaptações progressivas:
- O coração trabalha de forma mais eficiente;
- Os músculos passam a utilizar melhor o oxigênio;
- O metabolismo melhora sua capacidade de usar gordura como fonte de energia;
- O sistema nervoso reduz o estresse basal.
Estudos mostram que pessoas que mantêm programas regulares de exercício relatam menos fadiga, mais energia diária e melhor percepção de bem-estar, mesmo quando o volume de treino não é alto. Sendo assim, não é o treino “perfeito” que gera resultado. É o treino contínuo. A constância também é saúde mental, e até mesmo social.
A prática contínua de atividade física tem impacto direto na saúde mental. Com o tempo, o exercício regular:
- Aumenta a liberação de serotonina e dopamina;
- Reduz sintomas de ansiedade e depressão;
- Melhora o humor e a autoestima;
- Aumenta a sensação de controle sobre o próprio corpo.
Não é coincidência que pessoas ativas se sintam mais confiantes e produtivas. O corpo em movimento envia sinais positivos ao cérebro, menor ausência no trabalho e maior produtividade no labor.
Uma das principais conclusões da ciência do exercício é clara:
programas sustentáveis são aqueles que cabem na rotina de cada indivíduo. Quando o exercício é excessivo, doloroso ou muito longo, a adesão cai, e por consequência o retorno ao sedentarismo. Quando ele é acessível, possível e frequente, o corpo aceita, traz coforto e evolui. Com isso temos:
- Menos interrupções;
- Menos frustração;
- Mais resultados reais.
Se você está sedentário ou tentando recomeçar, não busque intensidade extrema. Busque regularidade. O corpo responde ao que é feito repetidamente, não ao que é feito uma vez por mês. A constância é o que trará resultado à sua saúde.

PhD. Eliane Cunha Gonçalves. Pós-Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Mestre em Ciência da Motricidade Humana no Brasil, Licenciatura Plena em Educação Física; Especialista em Políticas Públicas Sociais e da Saúde; Especialista em Treinamento Desportivo Especialista em Educação Física e Sociedade, Curso de Extensão em Gestão Publica em Educação Fisica e Desporto, Docente em Cursos de Graduação e Pós-Graduação, Ministra palestra e cursos na América Latina, Autora de inúmeros artigos, Autora de livros e capítulos de livro, Presidente e Membro de Inúmeras Comissões Científicas. Produtora de assuntos futebolísticos em blog, Facebook e YouTube (Cantinho do Laranjal).
