O mundo está parando e isso está nos matando

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Por Eliane Cunha Gonçalves

Vivemos em uma era paradoxal, sendo que nunca houve tanto acesso à informação sobre saúde, bem-estar e longevidade e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão hipocinéticos. O sedentarismo é, hoje, uma das maiores ameaças silenciosas à saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 em cada 4 adultos no mundo (27,5%) não pratica atividade física suficiente, sendo esse índice ainda mais preocupante entre adolescentes, com 81% de inatividade global.

A inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e alguns tipos de câncer. Além disso, o sedentarismo impacta negativamente na saúde mental, contribuindo para o aumento da ansiedade, depressão e declínio cognitivo, especialmente entre idosos.

Os atuais ambientes de trabalho, o uso excessivo do tempo de tela, o transporte motorizado e os longos períodos sentados, em casa ou no trabalho, criaram uma cultura do corpo imóvel, sem movimento. Em países da América Latina, como o México e o Brasil, os índices de sedentarismo vêm aumentando nas últimas décadas, refletindo a transição de uma sociedade ativa para uma sociedade praticamente inativa.

Muito tem se pensado, porém a solução está ao alcance do corpo. A prática regular de atividade física moderada como caminhar, pedalar, dançar, entre outras atividades aeróbicas, por apenas 150 minutos por semana já é suficiente para reduzir significativamente os riscos associados ao sedentarismo (WHO, 2020). Algo que parece simples, pode promover ganhos expressivos em qualidade de vida, autoestima e longevidade, além disso diminuindo as comorbidades.

Mais do que combater doenças, a atividade física é uma poderosa ferramenta de prevenção, inclusão social e transformação. Dentre muitos benefícios, a prática regular, melhora a circulação, fortalece os músculos e os ossos, regula o humor e melhora o sistema cognitivo. No contexto escolar, contribui para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. No mundo corporativo, reduz faltas por motivo de saúde e, melhora o desempenho profissional.

É preciso, portanto, que políticas públicas sejam desenvolvidas em todos os âmbitos, tais como: escolas, empresas e comunidades. Faz-se necessário práticas cotidianas que estimulem o movimento. Academias populares, ruas de lazer, programas escolares e campanhas de conscientização são estratégias eficazes para reverter esse cenário preocupante a nível mundial.

Movimentar-se não é apenas uma escolha individual, é um ato de responsabilidade coletiva, mas principalmente de autocuidado. Em tempos de doenças crônicas e pandemias emocionais, movimentar o corpo é, talvez, o gesto mais revolucionário de saúde que podemos fazer por nós mesmos.

Iniciar com a prática do que gosta de fazer é um bom caminho. Inicie com 5 minutos diários e vá aumentando paulatinamente, e assim as respostas serão percebidas cada vez mais. Fomos feitos para nos movimentar, e não para ficarmos parados.

Referências

Guthold, R., Stevens, G. A., Riley, L. M., & Bull, F. C. (2018). Worldwide trends in insufficient physical activity from 2001 to 2016: a pooled analysis of 358 population-based surveys with 1·9 million participants. The Lancet Global Health, 6(10), e1077-e1086.

Lee, I. M., Shiroma, E. J., Lobelo, F., Puska, P., Blair, S. N., & Katzmarzyk, P. T. (2012). Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy. The Lancet, 380(9838), 219–229.

World Health Organization (WHO). (2020). WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128

PhD. Eliane Cunha Gonçalves

Pós-Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Mestre em Ciência da Motricidade Humana no Brasil, Licenciatura Plena em Educação Física; Especialista em Políticas Públicas Sociais e da Saúde; Especialista em Treinamento Desportivo Especialista em Educação Física e Sociedade, Curso de Extensão em Gestão Publica em Educação Fisica e Desporto, Docente em Cursos de Graduação e Pós-Graduação, Ministra palestra e cursos na América Latina, Autora de inúmeros artigos, Autora de livros e capítulos de livro, Presidente e Membro de Inúmeras Comissões  Científicas. Produtora de assuntos futebolísticos em blog, Facebook e YouTube (Cantinho do Laranjal).

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