Eliane C. Gonçalves BRA
Vivemos em um tempo de grandes transformações. O aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo é uma conquista social e científica inegável. Mas surge uma questão essencial: não basta viver mais… precisamos viver melhor. E é justamente aí que entra a nossa profissão.
Se olharmos para os dados do Brasil por exemplo, veremos que o passou de uma expectativa média de 45 anos em 1940 para mais de 76 anos hoje, aumentando 30 anos na expectativa de vida, e isso aconteceu no mundo todo. O número de idosos na população cresce de forma acelerada, e com ele surgem os desafios: doenças crônicas, fragilidade, quedas, isolamento social. Pergunto a vocês: de que adianta viver até os 80 ou 90 anos se esses anos forem marcados pela perda de autonomia e pela dependência?
A resposta está no movimento. O exercício físico é o remédio mais acessível, barato e sem efeitos colaterais. Ele é capaz de preservar a força muscular, proteger ossos e articulações, estimular a cognição, reduzir o risco de doenças cardiovasculares e, talvez o mais importante, manter a autonomia para as atividades da vida diária. Mais do que isso: o exercício promove autoestima, bem-estar emocional e integração social.
A ciência é clara. A OMS recomenda pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, associados ao treinamento de força duas a três vezes, além de exercícios de flexibilidade e equilíbrio. Parece simples, mas esses elementos são muitas vezes negligenciados. Nosso papel é garantir que cada indivíduo receba estímulos adequados e seguros, respeitando sua individualidade.
A OMS e o ACSM são claros:
- Pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, ou 75 minutos de vigorosa.
- Exercícios de força, pelo menos 2 vezes por semana.
- Alongamentos e exercícios de equilíbrio, essenciais para prevenir quedas.
Mas aqui está o segredo: não é só a quantidade, é a qualidade e a variedade.
- Caminhar é ótimo, mas sozinho não é suficiente.
- Precisamos de força para levantar da cadeira,
- Equilíbrio para subir um degrau sem cair,
- Flexibilidade para amarrar o sapato sem dor
Mas sabemos que não é fácil. As barreiras são muitas: falta de motivação, dores, limitações físicas, medo de se machucar, dificuldade de acesso. É aqui que entra a criatividade e a capacidade de adaptação. Podemos transformar barreiras em oportunidades, criando programas em grupo, estimulando atividades prazerosas como dança, jogos recreativos, caminhadas coletivas, ou mesmo musculação adaptada.
As barreiras:
- Falta de motivação,
- Dores articulares,
- Sedentarismo prolongado,
- Medo de se machucar,
- Dificuldade de acesso a locais de prática.
Mas existem estratégias:
- Educação: explicar que o corpo precisa de movimento em qualquer idade.
- Adaptação: ajustar cargas, intensidade e modalidade conforme a realidade de cada pessoa.
- Socialização: atividades em grupo estimulam adesão.
- Prazer: ninguém mantém algo que não gosta. Descobrir uma atividade prazerosa é essencial.
E não se trata apenas de prevenir doenças. Se trata de dar vida aos anos. Estudos mostram que idosos ativos têm 50% menos quedas, reduzem em até 40% o risco de mortalidade precoce e apresentam maior qualidade de vida. Mais do que números, são histórias de pessoas que continuam a viver com propósito, autonomia e alegria.
Com o envelhecimento populacional, a demanda por programas de longevidade só aumenta. Seja nas academias, clínicas, programas públicos e espaços comunitários, precisamos nos movimentar.
O exercício não apenas acrescenta anos à vida, mas vida aos anos, porque envelhecer é inevitável, mas envelhecer bem é uma escolha.
Referencias:
GONÇALVES, E.C., Longevidade em Movimento. Congresso Carioca de Educação Física, 2025.
Países com maior expectativa de vida, Disponível em: https://mundocoop.com.br/longevidade/quais-sao-os-paises-onde-as-pessoas-vivem-mais-aqui-esta-o-mapa-geografico-da-longevidade/
Censo: Número de idosos cresceu 57,4% em 12 anos , Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2023/10/censo-2022-numero-de-idosos-na-populacao-do-pais-cresceu-57-4-em-12-anos
Eliane Gonçalves

Pós-Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Doutora em Ciência da Motricidade Humana, Mestre em Ciência da Motricidade Humana no Brasil, Licenciatura Plena em Educação Física; Especialista em Políticas Públicas Sociais e da Saúde; Especialista em Treinamento Desportivo Especialista em Educação Física e Sociedade, Curso de Extensão em Gestão Publica em Educação Fisica e Desporto, Docente em Cursos de Graduação e Pós-Graduação, Ministra palestra e cursos na América Latina, Autora de inúmeros artigos, Autora de livros e capítulos de livro, Presidente e Membro de Inúmeras Comissões Científicas. Produtora de assuntos futebolísticos em blog, Facebook e YouTube (Cantinho do Laranjal)
